Ao classificar os manifestantes como pessoas “enganadas”, o chefe da polícia do Irã anunciou uma janela de três dias para rendição. O objetivo da medida, segundo o governo, é aplicar sanções mais leves àqueles que se envolveram ‘involuntariamente’ nas manifestações que sacodem o país.
“Os jovens que se envolveram involuntariamente nos protestos são considerados indivíduos que foram enganados, não soldados inimigos”, disse Ahmad-Reza Radan à televisão estatal, acrescentando que “serão tratados com indulgência” pelo regime teocrático.
A onda de protestos que toma conta do Irã desde 28 de dezembro foi respondida com uma repressão violenta, deixando milhares de mortos. Após as autoridades bloquearem a internet há 11 dias, evitando o envio de informações para fora do país, o regime anunciou também nesta segunda que a conexão voltará ao normal de forma gradual durante a semana.
Em um discurso televisionado nesta segunda, o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, disse que “se colocará contra qualquer iniciativa” que arraste a região para o caos, num possível recado a Donald Trump, que vem ameaçando intervir no país. Esta foi a primeira vez que o líder falou sobre os últimos acontecimentos. “Acreditamos que, com uma política que priorize o diálogo e a diplomacia, nossos irmãos iranianos, se Deus quiser, conseguirão superar este período cheio de armadilhas”, disse Erdogan.

