M. Deus: Evento do Toma Sopa está confirmado para este domingo (4)

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Com o trágico acontecimento em Madre de Deus, que vitimou 8 pessoas num naufrágio, os eventos culturais viraram incógnita no município. Inclusive, a última semana do Madre Verão teve que ser adiado por conta do ocorrido.

Mas, por meio do perfil oficial, os responsáveis pelo tradicional bloco do Toma-Sopa (que é uma espécie de abertura do carnaval), confirmaram que o evento vai acontecer no próximo domingo, dia 4, a partir das 09h, saindo da Praça Pedro Gomes, Centro da cidade.

Como de costume, o maior bloco da cidade será puxado por fanfara entoando músicas de antigos carnavais, trazendo também centenas de foliões que alegram as principais ruas da cidade com fantasias criativas e porque não dizer: sensuais.

CONFIRA A ENTREVISTA REALIZADA PELA PREFEITURA COM A IDEALIZADORA DO TOMA SOPA EM 2013

Eloina Pitangueira, é natural de Madre de Deus, nasceu em 1933, são anos de muita história para contar.

Dona Eloina, como surgiu o Bloco Toma Sopa?

Tudo começou com uma brincadeira de famílias. Por volta das 17 horas, as famílias Pitangueira e Pinheiro se reuniam aqui ao lado, no muro da casa de minha mãe para beber e consequentemente não ir para a rua. Lembro bem do Gabino, Zoio, Vital, Mané….todos reunidos. Enquanto eles bebiam, eu dava sopa para as crianças aqui em casa. Ao longo dos anos, esse costume foi crescendo e de apenas uma brincadeira de famílias, começou a ser marcado pelos desfiles nas ruas da cidade. Fazíamos fantasias de bananeira, folha de bimbim, crepom e até com a violanda das caixas de cigarro. Terminávamos o desfile descendo a rampa da orla e tomando um banho de mar. Era lindo! A tinta do crepom soltava, e o mar em questão de segundos ficava todo colorido.

Por que vocês não iam para rua?

Madre de Deus era bastante tranquila, vivíamos na linha da pobreza, não íamos para a rua porque tínhamos medo das caretas. Na verdade, até hoje eu tenho (risos).

E a charanga, os músicos recebem para participar?

Fico até emocionada para falar desses parceiros, nunca receberam nada. Trabalham no voluntariado e estão sempre a disposição. Deixam até de fazer os eventos deles para cumprir o nosso calendário.

Como acontece a escolha das Rainhas?

Na verdade, hoje chamam de Rainha, mas, chamávamos de porta estandarte. Não é uma escolha, os próprios pais indicam seus filhos. Temos uma procura tão grande que até o ano de 2022 já tem pedidos.

O Bloco tomou uma dimensão muito grande, quem faz a sopa agora?

A família dessas crianças são responsáveis pela organização do evento do próximo ano, inclusive por cuidadosamente montar um grupo para fazer a sopa. Como a responsabilidade é muito grande, nós geralmente buscamos patrocínios e doações da comunidade para a manutenção.

Eloina, que mensagem você deixaria para a comunidade?

Que não deixem nunca essa tradição acabar. Quando me perguntam se o bloco é meu, sempre digo que não, pois de fato, não é. O bloco vive com a ajuda da comunidade e nada mais justo que o bloco seja da comunidade.

Fico feliz em ver o crescimento e o envolvimento dos foliões. A cada ano tem mais pessoas, e nunca registramos nenhuma confusão. Que continuemos assim, e que não percamos a tradição, as roupas recicladas, o crepom e principalmente a alegria em fazer uma festa tão linda.

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