A trajetória de Babu Santana no BBB 26 não foi apenas um retorno, foi uma tentativa de concluir uma sinfonia que ficou inacabada em 2020. Se na sua primeira passagem ele foi o “Paizão” solitário que dançava no jardim e batia na trave da final, desta vez o ator carioca entrou na casa com o peso da experiência e o estigma de ser um gigante difícil de derrubar.
No entanto, o roteiro da “segunda chance” provou que, no Big Brother, o passado é um mestre rigoroso, mas não um garantidor de vitórias.
Babu carregava consigo um título que ninguém ousa ostentar com facilidade, o de recordista absoluto de Paredões. Entre o histórico de 2020 e a nova jornada, ele acumulou passagens pela berlinda que fariam qualquer jogador sucumbir à exaustão emocional. Mas Babu parecia se alimentar do risco.
No BBB 26, ele não foi o figurante de luxo, ele foi o contraponto necessário a uma casa que, muitas vezes, parecia orbitar em torno de um único sol.
O embate dos titãs: Babu vs. Ana Paula Renault
Se Brigido tentou fabricar uma rivalidade com Ana Paula Renault que soava artificial, com Babu o choque foi tectônico. Não era estratégia de “tabuleiro”, era colisão de personalidades. De um lado, a urgência e o tom incisivo da jornalista, do outro, a cadência pausada e o jeito “turrão” do ator.
Os embates no Sincerão tornaram-se o ponto alto da edição. Babu não recuava. Ele usava sua vivência para questionar as narrativas de Ana Paula, acusando-a de tentar pautar o jogo de forma autoritária.
O auge dessa tensão ocorreu quando Babu, em um momento de pura sinceridade brutal, sugeriu que a loira estava “cancelada” aqui fora, uma aposta alta que acabou se voltando contra ele, já que o público ainda via em Ana Paula a protagonista que ele tentava desconstruir.
A solidão do jogador e o “Duelo de Risco”
Diferente de sua primeira participação, onde encontrou em Prior um aliado improvável, no BBB 26 Babu pareceu mais isolado taticamente. Ele transitou entre grupos, foi alvo de imunidades estratégicas e consensos amargos, como o que o colocou em seu último paredão, indicado por Milena e Jonas.
Um detalhe curioso desta trajetória foi sua resiliência nas dinâmicas. Babu sobreviveu a provas de resistência física e mental, mas parecia sempre caminhar no fio da navalha. Sua participação foi marcada por uma leitura de jogo mais ranzinza, menos dançante do que em 2020, o que rendeu saudade do “Paizão” carismático de outrora.
O fechamento das cortinas
A eliminação com 68,62% dos votos em um embate contra Milena e Chaiany foi o ponto final de uma narrativa de resistência. Babu saiu com a mesma dignidade com que entrou, mas deixando no ar a sensação de que sua “segunda chance” foi um duelo constante contra o fantasma do próprio favoritismo do passado.
Na saída, as palavras de Tadeu Schmidt ecoaram o sentimento de quem assistiu a um veterano lutar em um campo de batalha que já não seguia as mesmas regras:
“Você é o recordista, o homem que mais enfrentou o julgamento do público. Mas hoje, o público decidiu que sua jornada de volta termina aqui”.
Babu Santana deixa o BBB 26 não como o vencedor do prêmio milionário, mas como o personagem que provou que, no reality, a história não se repete, ela se transforma. Ele foi, mais uma vez, a voz que se recusou a calar, o homem que enfrentou a “fada sensata” da edição de peito aberto e que, mesmo saindo antes da final, reivindicou seu lugar como uma das figuras mais emblemáticas da história do programa.
A lição que fica de Babu é que a coragem de voltar é tão grande quanto a de saber a hora de sair. Ele foi um gigante que, em vez de se esconder nas sombras do que já tinha conquistado, preferiu colocar sua pele em risco mais uma vez sob a luz dos holofotes.




