Província de Alberta vai às urnas em consulta sobre separação do Canadá após petição

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Os mais de 5 milhões de moradores de Alberta, província do oeste do Canadá, votam nesta segunda-feira (19) em uma consulta que pode abrir caminho para um referendo sobre a separação do país. A votação ocorre depois que uma petição separatista reuniu mais de 300 mil assinaturas e, caso aprovada, a votação definitiva poderia ocorrer já em 2027.

O abaixo-assinado foi organizado pelo grupo Alberta Prosperity Project, liderado por Mitch Sylvestre, dono de uma loja de armas, e pelo advogado Jeffrey Rath. A iniciativa, porém, foi barrada pela Justiça de Alberta após um juiz entender que a coleta de assinaturas, feita com base na lei de petições populares, não considerou as comunidades indígenas das Primeiras Nações, cujos territórios seriam afetados.

A primeira-ministra da província, Danielle Smith, do Partido Conservador Unido, disse em maio estar “profundamente preocupada” com a decisão e que não deixaria que “um único juiz” silenciasse centenas de milhares de moradores. O governo recorreu, mas Smith argumentou que adiar a questão só prolonga um debate “muito emocional e importante”.

Posições e pesquisas

O movimento separatista tem raízes na chamada “alienação do oeste”, a sensação de que o poder federal ignora a região, que tem o maior PIB per capita do país (71.545 dólares canadenses em 2025) e produz 84% do petróleo e 60% do gás natural do Canadá. Levantamentos indicam ampla preferência pela permanência: 70% no do instituto Leger, divulgado em outubro, e 72% no da Janet Brown Opinion Research para a CBC, em setembro. Parte dos analistas, porém, não descarta uma surpresa semelhante à do Brexit.

A votação não decide diretamente a independência. Os eleitores respondem a dez perguntas, e a última pergunta pede que escolham entre manter Alberta como província canadense ou autorizar o governo local a iniciar o processo legal para um referendo vinculante sobre a separação. As outras nove perguntas tratam de imigração, mudanças constitucionais e acesso de residentes não permanentes a serviços públicos.

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