O Instituto Butantan vai passar a produzir, no país, um medicamento de alto custo utilizado no tratamento contra o câncer no Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa ocorre a partir de uma parceria firmada com a farmacêutica MSD, dentro de um edital do Ministério da Saúde.
O fármaco, o pembrolizumabe, atua estimulando o sistema imunológico a combater células tumorais e tem sido utilizado como alternativa à quimioterapia tradicional, com menor toxicidade.
Hoje, o medicamento já integra a rede pública para casos específicos, como o melanoma metastático. Atualmente, cerca de 1,7 mil pacientes recebem o tratamento por ano, com custo estimado em R$ 400 milhões aos cofres públicos.
A tendência é de ampliação desse uso. A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS analisa a inclusão do remédio em protocolos para outros tipos de câncer, como os de mama triplo-negativo, pulmão, esôfago e colo do útero. Com isso, o número de pacientes atendidos pode chegar a 13 mil por ano.
O acordo faz parte de uma estratégia do governo federal para fortalecer a produção nacional na área da saúde e reduzir a dependência de importações, com meta de produzir internamente a maior parte dos insumos utilizados no SUS na próxima década.
O anúncio foi feito durante um evento internacional no Rio de Janeiro. Na ocasião, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou o papel das parcerias no avanço do setor.
“Não tem como enfrentar esses desafios sem forte cooperação internacional. A saúde deixou de ser apenas uma política social e passou também a ser um eixo central do desenvolvimento econômico, inovação tecnológica e geração de empregos qualificados”, afirmou.
Ele também ressaltou a relevância do sistema público brasileiro. “O SUS não é apenas o maior sistema público universal do mundo, mas também um dos maiores mercados estruturados do planeta em escala, previsibilidade, demanda e capacidade de absorção tecnológica.”






