CPI do Crime Organizado quebra sigilo de fundo que comprou fatia de empresa de Toffoli em resort

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A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado decidiu quebrar os sigilos bancário e fiscal do Fundo Arleen, que adquiriu a participação da empresa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli no resort Tayayá, localizado no Paraná. A decisão foi tomada nesta semana após requerimento apresentado pelo senador Sergio Moro (União-PR).

Com a medida, os parlamentares pretendem acessar informações financeiras do fundo entre fevereiro de 2021 e janeiro de 2026. A estratégia busca avançar nas apurações mesmo após o STF ter barrado o acesso direto aos dados da Maridt, empresa da qual Toffoli é sócio. A quebra do sigilo dessa companhia havia sido autorizada pela CPI, mas acabou suspensa por decisão do ministro Gilmar Mendes.

Registros da Junta Comercial do Paraná indicam que o Fundo Arleen passou a integrar o empreendimento Tayayá em setembro de 2021, ao adquirir a fatia da Maridt por aproximadamente R$ 20 milhões.

Reportagem do jornal O Globo aponta que o Arleen tem como único cotista o Fundo Leal, ligado ao empresário Fabiano Zettel. Ele é cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, instituição que está no centro das investigações conduzidas pela comissão.

A CPI já havia determinado anteriormente a quebra de sigilos de Zettel. Informações do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), citadas por O Globo, indicam que o empresário movimentou cerca de R$ 99,2 milhões em poucos meses, valor considerado incompatível com sua capacidade financeira.

Parte dessas movimentações ocorreu no período em que Zettel passou a integrar o negócio do resort. O relatório também identifica transferências que somam mais de R$ 25 milhões direcionadas ao Fundo Leal.

Em manifestação divulgada quando o caso veio a público, Dias Toffoli afirmou que a venda da participação da empresa Maridt no resort foi realizada a preço de mercado. O ministro declarou ainda que nunca recebeu valores de Daniel Vorcaro ou de Fabiano Zettel.

Após o surgimento de novas informações envolvendo o caso, Toffoli deixou a relatoria do processo relacionado ao Banco Master no Supremo. O tema foi redistribuído e passou a ser conduzido pelo ministro André Mendonça.

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