A Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (8) a convocação do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, para explicar um documento do Itamaraty que mencionou a possibilidade de ações militares dos Estados Unidos contra o Brasil.
Com a convocação, o chanceler terá de comparecer ao colegiado para prestar esclarecimentos. Na terça-feira (7), a Comissão de Relações Exteriores do Senado também havia aprovado um convite para que Vieira falasse sobre o mesmo tema.
Durante a reunião desta quarta, o deputado Arlindo Chinaglia tentou transformar a convocação em um convite, com datas sugeridas para o comparecimento em 10, 11 ou 14 de agosto. A proposta, no entanto, não teve acordo entre os parlamentares.
O pedido de convocação foi apresentado pelo deputado Evair de Melo, que também havia solicitado informações ao Itamaraty sobre a decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. O parlamentar criticou a resposta da pasta e classificou o conteúdo como “precário e frágil”.
Documento do Itamaraty
Na semana passada, o Ministério das Relações Exteriores respondeu aos questionamentos da Câmara sobre a decisão americana. Em ofício assinado por Mauro Vieira, a pasta afirmou que a classificação das facções como grupos terroristas poderia gerar consequências para cidadãos brasileiros e citou a possibilidade de ações militares dos Estados Unidos no país.
O documento também apontou que a medida “não trará benefícios concretos para a cooperação internacional entre EUA e Brasil no enfrentamento do crime organizado”.
O governo norte-americano reagiu e classificou como “absurda” a hipótese de uma ação militar dos Estados Unidos em território brasileiro. Em nota, o Departamento de Estado afirmou que o país está “tomando medidas decisivas, no exercício de sua própria autoridade soberana, para combater narcoterroristas”.
A classificação do PCC e do CV como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO, na sigla em inglês) entrou em vigor em 5 de junho. A medida foi iniciada em 28 de maio, quando o Departamento de Estado americano anunciou o enquadramento das facções também como “Terroristas Globais Especialmente Designados” (SDGT, na sigla em inglês).



