O governo do Irã afirmou nesta terça-feira (7) que não retomará as negociações de paz com os Estados Unidos enquanto o presidente Donald Trump continuar fazendo ameaças de novos ataques ao país.
A declaração foi feita pelo ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, que acusou Trump de descumprir os termos do memorando de entendimento firmado no mês passado para suspender a guerra entre os dois países.
Em publicação nas redes sociais, acompanhada por uma imagem do funeral do ex-líder supremo Ali Khamenei, Araqchi afirmou que a população iraniana e as Forças Armadas não serão intimidadas.
“Milhões de iranianos orgulhosos se uniram para homenagear o Grande Aiatolá Khamenei e seu legado. Nem eles, nem nossas bravas Forças Armadas, se deixam abalar por quaisquer ameaças. As negociações para o acordo final não começarão se as ameaças continuarem. Honre sua assinatura”, escreveu.
As declarações ocorreram após Trump afirmar, durante entrevista coletiva na Casa Branca na segunda-feira (6), que prefere chegar a um acordo com o Irã, mas não descartou uma nova ofensiva militar.
“Ou vamos fazer um acordo ou vamos terminar o trabalho. Certo. E não será difícil terminar o trabalho. Eu prefiro fazer um acordo, porque não quero afetar 91 milhões de pessoas. Podemos derrubar as pontes deles em uma hora, podemos cortar o fornecimento de energia deles”, declarou o presidente dos Estados Unidos.
Funeral de Khamenei
O aumento da tensão entre os dois países ocorre durante as cerimônias de despedida de Ali Khamenei, morto no primeiro dia da guerra, em 28 de fevereiro.
Desde sábado (4), milhares de iranianos participam das homenagens. Nesta terça-feira, os caixões de Khamenei e de quatro integrantes de sua família, também mortos no ataque, foram levados para a cidade de Qom.
Na segunda-feira (6), uma multidão tomou as ruas de Teerã para o funeral. Durante a cerimônia, participantes fizeram pedidos de vingança e entoaram palavras de ordem contra Donald Trump, apontado por manifestantes como um dos responsáveis pela morte do ex-líder supremo.
“Hoje, que estamos aqui para o funeral do nosso líder, é um dia muito difícil”, disse a participante Fátima Hassan. “Não estamos aqui para nos despedirmos dele, estamos aqui para nos vingarmos. E nos vingaremos.”



