MInC autoriza captação de patrocínio para concretizar Bienal do Livro da Bahia em 2026

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A multinacional francesa GL Events, holding que detém a concessão do novo Centro de Convenções de Salvador, foi autorizada pelo Ministério da Cultura a captar, a partir de hoje, R$ 1,61 milhão em patrocínio, via Lei Rouanet, para realizar a próxima edição da Bienal do Livro da Bahia, prevista para ocorrer ano que vem em data ainda não definida. A GL Events Exhibitions, braço da empresa para o segmento de feiras e exposições, já tem garantia de aporte de recursos do governo do estado e da prefeitura da capital para a bienal de 2026 e não deve enfrentar dificuldades em atrair patrocinadores da iniciativa privada.

Prova dos nove
O otimismo sobre a viabilidade da operação financeira do grupo francês para o evento vem dos números da última Bienal do Livro da Bahia, que ocorreu de 26 de abril a 1ª de maio de 2024 no Centro de Convenções. Na ocasião, a Bienal registrou recorde de público, com cerca de 100 mil visitantes, 10 mil a mais que o registrado na edição de 2022. Simultaneamente, a produção da feira literária contabilizou aproximadamente 800 mil livros vendidos, mais de 200 expositores, 50 mil acima do evento anterior, e  participação inédita das quatro maiores editoras do país: Companhia das Letras, Rocco, HarperCollins Brasil e Globo Livros.

Noiva cobiçada
O sucesso da Bienal do Livro, que deixou Salvador fora do circuito ao longo de nove anos, despertou a atenção de gigantes do empresariado. O Itaú Unibanco, por exemplo, adquiriu a cota máster do evento. Mas não caminhou sozinho. O Grupo BIC, líder mundial em artigos de papelaria, também entrou na lista de patrocinadores, assim como a Bahiagás e o Salvador Shopping. Todos interessados em vincular suas marcas à feira. Devido às restrições de publicidade institucional do Poder Público em ano eleitoral, a estimativa é que a próxima edição seja realizada ainda no primeiro semestre.

Pano de fundo
A desistência da CCR em tocar adiante o projeto de uma ferrovia de cargas e passageiros entre Salvador e Feira de Santana tem origem na decisão da companhia de frear investimentos e se desfazer de negócios que não deram os resultados esperados ou geraram prejuízos, segundo fontes que atuam no mercado de grandes concessões. Em especial, a empresa quer se desfazer do controle dos 17 aeroportos brasileiros, a imensa maioria arrematada nos leilões da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) realizados em 2021. Tanto que a CCR liberou bancos de investimento a irem à caça de interessados em assumir terminais que administra atualmente.

Erro de rota
A avaliação, ainda de acordo com as mesmas fontes, é de que, além da falta de experiência no segmento aeroportuário, o grupo adquiriu um portfólio nada lucrativo. É o caso dos aeroportos de capitais como Goiânia, São Luís, Teresina, Belo Horizonte e Palmas e de grandes cidades, a exemplo de Petrolina, em Pernambuco; Pelotas, Bagé e Uruguaiana, no Rio Grande do Sul; Joinville e Navegantes, em Santa Catarina; Londrina, no Paraná; e Imperatriz, no Maranhão. Até o filé do bloco arrematado pela empresa – os aeroportos internacionais Afonso Pena, em São José dos Pinhais, na Grande Curitiba (PR); e Tancredo Neves, em Confins, na Região Metropolitana de BH – se revelaram um fiasco.

Prata da casa
Com o recuo da CCR em relação à Ferrovia Feira de Santana-Salvador, mesmo após a empresa já ter iniciado estudos de viabilidade junto ao governo do estado, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) decidiu abraçar o projeto. Semana passada, a agência acolheu requerimento de uma empresa de Feira interessada em obter autorização para construir e explorar a linha férrea de 98 quilômetros de extensão pelo prazo de 99 anos. Trata-se da TIC Bahia, fundada há seis meses pelos empresários Danilo Ferreira, primo do deputado federal Zé Neto (PT), e Osvaldo Ottan, dona da construtora Belvedere e de megaempreendimentos imobiliários na cidade.

Causa e efeito
Em outro flanco, a CCR abriu processo de arbitragem para renegociar o equilíbrio financeiro do contrato de concessão para operar o Metrô de Salvador, firmado com o governo baiano, assunto revelado também pela Metropolítica. O objetivo da ofensiva da companhia tem relação com as projeções sobre a demanda de passageiros nas duas linhas metroviárias em atividade, ainda aquém do previsto no acordo com a gestão estadual. Sobretudo, depois que o VLT do Subúrbio estiver a plenos trilhos.

Otávio Mangabeira forever
Na terra de precedente para todo tipo de absurdo, a prefeitura de Salvador interditou em 2 de abril o tráfego em parte da Rua Pinto Martins, no Comércio, por diante do alto risco de desabamento de um imóvel em estilo eclético tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), a mas emenda piorou o soneto. Explique-se: embora tenha proibido a circulação de veículos na via que desemboca na Ladeira da Montanha, o local acabou servindo como estacionamento provisório. O que não diminui a chance de tragédia, conforme denunciado em primeira mão pela coluna em 18 de fevereiro. Para completar, uma fatia expressiva dos carros que estacionam no trecho interditado pertence à frota da própria prefeitura.

Do limão à limonada
Apesar do crescimento da avaliação negativa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva detectada na pesquisa divulgada nesta quarta-feira (04) pelo Instituto Quaest, cardeais do PT da Bahia receberam com alívio pelo menos um dos recortes do levantamento. Mais precisamente a reversão da curva de impopularidade de Lula no Nordeste, principal reduto eleitoral do petista. Antes, todas as sondagens anteriores apontavam trajetória de declínio da aprovação do presidente entre o eleitorado nordestino. Na última pesquisa, de março deste ano, Lula teve aprovação de 52%. Agora, o índice oscilou positivamente dois pontos percentuais e chegou a 54%.

Freio de arrumação
“Ainda que a variação tenha ocorrido dentro da margem de erro (quatro pontos), os números mostram que Lula está conseguindo estancar a sangria no Nordeste e, quem sabe, conseguindo se recuperar na região. Isso é fundamental para o ano que vem, sobretudo frente à queda abrupta e gradativa no Sudeste”, argumentou um influente líder petista, para quem a nova sondagem também mostrou um cenário menos desolador do que o esperado. Sobretudo, por causa do bombardeio sofrido pelo presidente no rastro do escândalo do INSS.

Fora do alvo
Mesmo com o esquema de fraudes nas contribuições da Previdência tendo origem no governo Michel Temer (MDB) e se espraiado no de Jair Bolsonaro (PL), a Quaest comprovou que o governo continua perdendo a guerra de narrativas em relação à responsabilidade sobre os desvios: 31% imputam a culpa à gestão de Lula, ante 8% dos que atribuem o escândalo a Bolsonaro. Em síntese, a avaliação é de que o Planalto precisa calibrar melhor a pontaria.

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