Saiba quem foi Ali Khamenei, líder supremo do Irã por quase 40 anos, morto em ataques dos EUA e Israel

Date:

 

O aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã por quase 37 anos, morreu aos 86 anos neste sábado (28), após ataques coordenados dos Estados Unidos e de Israel contra instalações iranianas. Khamenei foi a principal autoridade política e religiosa do país desde 1989, acumulando poder sobre o governo, o Judiciário, as Forças Armadas e a política externa. Durante seu comando, tornou-se a figura central da República Islâmica, responsável por decisões estratégicas que moldaram a economia, a segurança e as relações internacionais do Irã.

Como líder supremo, Khamenei era o detentor da palavra final sobre qualquer decisão política ou militar no país. Além de comandar diretamente o Executivo e o Judiciário, supervisionava os órgãos de inteligência e segurança. Ele também exercia influência sobre os líderes regionais e o Parlamento iraniano, consolidando um poder absoluto que o colocava acima de presidentes e ministros. Para muitos, era tanto o guia espiritual quanto o estrategista político do país.

Formação religiosa e trajetória política

Nascido em 1939, na cidade de Mashhad, Khamenei iniciou cedo a formação religiosa. Estudou em Qom e foi fortemente influenciado pelo aiatolá Ruhollah Khomeini. Nos anos 1960, envolveu-se na oposição ao xá Mohammad Reza Pahlavi, sendo preso e torturado por atividades políticas. Sua militância marcou o início de sua ascensão dentro do movimento que culminou na Revolução Iraniana de 1979.

Da Presidência ao comando supremo

Após a revolução, Khamenei assumiu posições estratégicas. Em 1981, sobreviveu a um atentado que deixou seu braço direito paralisado. Poucos meses depois, foi eleito presidente do Irã, cargo que ocupou até 1989. Com a morte de Khomeini, foi escolhido pela Assembleia dos Peritos como líder supremo, mesmo sem o título religioso máximo exigido pela Constituição na época, após alteração legal que permitiu sua nomeação. Um vídeo secreto de 1989 revelou Khamenei surpreso e inseguro com a escolha.

Política interna e controle do poder

Durante seu governo, Khamenei consolidou a Guarda Revolucionária Islâmica e fortaleceu estruturas paralelas ao Estado para manter o controle. Ele reprimiu opositores, censurou jornalistas e liderou campanhas contra protestos populares, incluindo os de 2009 e os de 2022 após a morte de Mahsa Amini. Para ele, preservar os valores da revolução e manter a unidade do Estado justificava essas ações.

Estratégia externa e influência regional

Khamenei também foi estratégico na política externa. Defendeu posição firme contra os Estados Unidos e Israel, apoiando grupos aliados na região, como Hamas e Hezbollah. Apoiou o acordo nuclear de 2015, que visava reduzir sanções internacionais, mas sua implementação foi interrompida em 2018 pelo presidente americano Donald Trump.

Legado e controvérsias

Khamenei deixou um legado complexo. Para aliados, foi o guardião da revolução islâmica e da identidade nacional do Irã; para críticos, simbolizou repressão, concentração de poder e violação de direitos humanos. Sob seu comando, o Irã se tornou uma potência regional com influência militar, política e religiosa consolidada, mas marcada por tensões internas e externas. Sua morte encerra uma era de liderança autoritária que transformou o país e marcou o Oriente Médio.

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

Share post:

Subscribe

spot_imgspot_img

Popular

More like this
Related

Fenômeno no céu de Salvador chama atenção da população

  Moradores de Salvador se depararam com uma imagem incomum...

Próximo adversário do Vitória desembarca na Colômbia para amistoso

  Próxima adversária do Vitória no Campeonato Brasileiro, a Chapecoense...

Baianos vencem título do ‘Estrelas da Casa’

  A madrugada desta sexta-feira (25) foi de comemoração para...